Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

Quimera Urbana

MIRE VEJA 
Prémio Shell 2003 e Prémio APCA 2003 | a partir de “Eles Eram Muitos Cavalos”, de Luiz Ruffato | Direção de Pedro Pires e Zernesto Pessoa | Companhia do Feijão | OMT | Sala Grande | 31 de maio | quinta | 21h30 | Maiores de 14 | 70 min. 

São 24 histórias curtas, fragmentadas e entrelaçadas, que falam da vida na metrópole e de pessoas de diversas origens e classes sociais que nela habitam. Com cerca de trinta personagens que não se encontram, as histórias encadeiam-se como flashes no tempo impossível de São Paulo. Um mosaico a partir do qual é possível vislumbrar uma parte desse universo tão densamente povoado pela diversidade.

FICHA TÉCNICA
Elenco: Fernanda Haucke, Guto Togniazzolo, Pedro Pires, Vera Lamy e Zernesto Pessoa Direção e Dramaturgia: Pedro Pires e Zernesto Pessoa Direção Musical: Julio Maluf Cenografia: Petronio Nascimento Figurinos: Marina Reis Iluminação: Marinho Piacentini

COMPANHIA DO FEIJÃO - Com uma trajetória pautada pela inclusão cultural em todos os níveis, os espetáculos são levados aos mais diversos públicos e lugares. Para a crítica Mariangela Alves de Lima, a companhia apresenta "uma caderneta de campo em forma de espetáculo" ao reaproximar regiões do país. "Na sua austeridade melódica e rítmica, as músicas do espetáculo nos lembram que há uma outra possibilidade estética, a do rigor construtivo e da economia." (Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro). 

Ppróximos espetáculos da MOSTRA SÃO PALCO:
LUIZ ANTÓNIO GABRIELA | OMT | Sala Grande | 3 de junho | domingo | 21h30 
HYGIENE | Largo da Sé Velha | 7 de junho | quinta | 20h 
ÓPERA DOS VIVOS | TAGV | 8 de junho | sexta | 21h30

© José Romero

Terça-feira, 22 de Maio de 2012

A revolução começa como um passeio

QUEM NÃO SABE MAIS QUEM É, O QUE É E ONDE ESTÁ PRECISA SE MEXER 
Prémio Shell 2009 

a partir de Heiner Müller | Direção de Georgette Fadel | Companhia São Jorge de Variedades | OMT | Sala Grande | 29 de maio | terça | 21h30 | Maiores de 16 anos | Duração: 90 min. 

A ação de “Quem não sabe…” começa nas ruas onde os três atores se encontram e levam o público até ao teatro, onde está montada a lúdica e bem elaborada cenografia de Rogério Tarifa, um apartamento, ou melhor, um “aparelho”. “Nossos personagens são verdadeiros revolucionários, que às vezes parecem cómicos, patéticos e até mesmo loucos ou muito lúcidos”, revela Georgette Fadel. Acostumada a trabalhar com elencos grandes, foi a primeira vez que a São Jorge de Variedades se apresentou com apenas três atores (Mariana Senne, Marcelo Reis e Patrícia Gifford). 

Nos últimos dez anos a São Jorge de Variedades vem fazendo encenações e incursões em lugares alternativos: como albergues e a própria rua, absorvendo as personagens do local nas suas encenações. Agora, é a vez do mais polémico dramaturgo da pós-modernidade, o alemão Heiner Müller, ser o centro da pesquisa da São Jorge. “Heiner Müller é complexo, mas colocado sob olhar simples, com jogo cénico, torna-se inteligível”, diz a diretora, que já fez pesquisas similares com textos de Qorpo Santo e Stela do Patrocínio. “Heiner Müller coloca nos textos o amargo de revoluções como o marxismo, o idealismo francês ou a luta de classes, explicitando a complexidade dos nossos vícios e o contemporâneo das nossas frustrações, em textos muitas vezes jogados ao público como uma metralhadora.” 

Em pouco mais de uma hora de peça, o discurso de Heiner Müller foi todo transformado em situações muito próximas do público. A verve do dramaturgo também vira música. Literalmente. A direção musical de Luiz Gayotto transforma algumas partes densas dos textos em imagens sonoras. Para Georgette Fadel, que assina a quarta direção na companhia, a poesia de Müller encantou todos os integrantes. “A Mariana Senne foi quem nos apresentou o autor quando trouxe a obra ‘Quarteto’. A simpatia foi imediata, principalmente por ele ser considerado o herdeiro e interlocutor de Brecht, por quem somos apaixonados”, conta a diretora. A partir disso, a companhia organizou uma "roda de prosa", com artistas que já haviam pesquisado o autor para discutir a obra e estéticas de encenações de Heiner Müller. Em seguida, os atores começaram a criar algumas improvisações sobre o universo do autor. 

Entre os textos "A Missão" e "A Máquina Hamlet" e entrevistas com Heiner Müller, selecionados para o espetáculo, os atores também recorreram a alguns outros autores dando mais força ao texto. Rosa Luxemburgo, Juliano Garcia Peçanha e o roteiro da longa-metragem "O Bandido da Luz Vermelha" são alguns exemplos que se mesclam com textos dos próprios atores.

© Cacá Bernardes 


COMPANHIA SÃO JORGE DE VARIEDADES - ciasaojorge.com 
A base estética da companhia apoia-se em manifestações ritualísticas de canto e dança, mantendo como referência paralela as religiões afro-brasileiras. A dramaturgia tem como tema principal a discussão de questões éticas inerentes à diversidade e aos paradoxos da cultura brasileira, desde a sua formação, da colonização à contemporaneidade. Estreiam com o espetáculo “Pedro o Cru”, em 1998, uma montagem amadora do poema dramático do escritor português António Patrício, cuja intenção é refletir sobre a herança do romantismo e da melancolia lusitanos. (Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro) 

FICHA TÉCNICA 
Dramaturgia: Companhia São Jorge de Variedades, a partir de Heiner Müller Direção: Georgette Fadel Atores Criadores: Marcelo Reis, Mariana Senne e Patrícia Gifford Assistente de Direção: Paula Klein Direção de Arte: Rogério Tarifa Direção Musical: Luiz Gayotto Consciência Corporal: Érika Moura Direção de Movimento: Lú Brites Tratamento de Figurino: Foquinha Programação Visual: Sato-CasadaLapa Direção de Produção: Carla Estefan Contraregra: Glauber Pereira Colaboradores: Alexandre Krug, André Capuano e Cibele Forjaz Foto: Cacá Bernardes e Roberto Setton Assessoria de Imprensa: Frederico Paula 

Preço dos bilhetes: 
Passe Geral Mostra São Palco: € 27, com acesso aos cinco espetáculos da mostra (à venda na OMT e TAGV).
Para além do passe, há a possibilidade de aquisição de bilhetes para cada um dos espetáculos, separadamente (entre os € 4 e os €10). Informações na Bilheteira da OMT (239 714 013). 
As reservas feitas antecipadamente terão que ser levantadas até 2 dias antes do espetáculo. 
Para o espetáculo Hygiene, com entrada gratuita, é necessário fazer reserva antecipada e levantar a mesma na bilheteira da OMT.
Para o espetáculo Ópera dos Vivos, as reservas deverão ser feitas diretamente no TAGV.

Mais informações: 
O Teatrão Oficina Municipal do Teatro, Rua Pedro Nunes, Qta da Nora 3030-199 Coimbra 
239714013 | 914617383 | geral@oteatrao.com 

MOSTRA SÃO PALCO (Teatro) | 29 MAI - 8 JUN 
Oficina Municipal do Teatro | Largo da Sé Velha | Teatro Académico de Gil Vicente 

Próximos espetáculos: 
MIRE VEJA | OMT | Sala Grande | 31 de maio | quinta | 21h30 
LUIS ANTONIO-GABRIELA | OMT | Sala Grande | 3 de junho | domingo | 21h30 
HYGIENE | Largo da Sé Velha | 7 de junho | quinta | 20h 
ÓPERA DOS VIVOS | TAGV | 8 de junho | sexta | 21h30

Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

O rapaz estéreo e o homem aquático

STEREOBOY + HOMEM AO MAR (música) 
Tabacaria | 26 de maio | sábado | 22h 

STEREOBOY é o Luís Salgado, para quem não sabe. Mas podia ser qualquer um dos espectadores, se em vez de aprender a ler e a escrever, só tivesse sido alfabetizado na música pop. HOMEM AO MAR é uma aventura musical nascido aparentemente ao acaso, mas cujas coincidências não podiam ser mais significativas. Histórias, acidentes, marcas de vida ecoam nos sons deste projecto.


Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

Pra todo o mundo ver - o teatro de S. Paulo em Coimbra

No ano passado, O Teatrão trouxe Nova Iorque a Coimbra, através do olhar dos The TEAM e de Zachary Oberzan, que se apresentaram na Oficina Municipal de Teatro. Este ano trazemos São Paulo e o Brasil, através de cinco projetos diferentes, assinados pela São Jorge, pelo Feijão, por Nelson Baskerville, pelo XIX e pelo Latão. 

Como dizia o poeta, Sampa é «o avesso do avesso do avesso do avesso». Centro financeiro do Brasil, logo da economia global, é também sede do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, talvez o mais importante movimento social do planeta. São Paulo, que é a cidade mais populosa do hemisfério sul, tem ao mesmo tempo uma das mais pequenas redes de metro e o maior tráfego de helicópteros do mundo. Palco de contradições, nas suas ruas caminham descendentes de escravos e de colonizadores, migrantes de todas as regiões do Brasil e imigrantes de todos os países do mundo, cada um com os seus costumes, comidas e credos. E como se estas pistas não bastassem para compreender porque é São Paulo um dos pólos artísticos da América Latina, há ainda o facto de a cidade ser geminada com Coimbra. 

É uma das capitais teatrais de língua portuguesa. São Paulo tem atualmente mais de oitocentas estreias teatrais por ano, entre musicais, comédias, teatro de rua, teatro comunitário e teatro de grupo. Os artistas de teatro criam espetáculos que bebem influências na história e cultura locais, na tradição teatral do país e na produção internacional. Desde o final dos anos noventa que o teatro de grupo, em especial, se afirma diariamente como um dos movimentos mais ricos e multifacetados da criação artística contemporânea de São Paulo, cruzando o que se faz nas outras artes com as mais diversas escolas teatrais e juntando a isto um empenho singular no debate público sobre os destinos do Brasil. Estes grupos têm maneiras muito diferentes de relacionar o teatro com a política, por um lado, e com a vida, por outro, mas é na tentativa de perceber essa relação que as suas obras artísticas se originam. Talvez por virem da América, onde o passado não devastou tudo e o futuro ainda não chegou, tenham a esperança suficiente para se atreverem a relacionar a arte com o dia a dia criando espetáculos realmente novos. 

Estes espetáculos têm origem em métodos muito diversos, que vão da improvisação coletiva à adaptação de textos narrativos, da montagem de textos dramáticos à escrita que privilegia a fragmentação e a coralidade. Nestas duas décadas uma mão cheia de autores e encenadores de São Paulo tentou documentar e retratar a cidade, repensar os modos de produção no contexto urbano, atuar no espaço público e em espaços não-convencionais. Estes artistas criaram espetáculos não apenas sobre a cidade mas também para intervir na cidade, tentando impor a arte teatral como experiência do real num mundo em que predominam as narrativas reais e fictícias dos meédia industriais. 

O Teatrão tem beneficiado dessa profusão criativa através do acolhimento de espetáculos, da coprodução de peças e da colaboração com companhias e artistas de São Paulo. Essa relação com o teatro de São Paulo começou a ser construída com o encenador e pedagogo Antonio Mercado, a partir da ESEC, e continuou nos intercâmbios com o grupo Folias, e com os encenadores Marco Antonio Rodrigues e Dagoberto Feliz. Mas em Portugal faz falta uma visão de conjunto sobre esses grupos. Por isso, antecipando o Ano de Brasil em Portugal, apresentamos uma amostra do teatro de grupo de São Paulo, com cinco espetáculos que representam uma boa parte da produção recente da cidade – peças curtas e peças longas, teatro de rua e teatro de cabaré, autores estrangeiros e textos originais, obras premiadas e obras malditas, grupos já vistos em Portugal e grupos que nunca cá foram apresentados. É uma amostra do teatro de São Paulo, mas neste palco que é a cidade vê-se todo o mundo.

Preço dos Bilhetes
Bilhete geral: € 27 (acesso aos cinco espetáculos da Mostra) 

Notas: 
1) Para além do bilhete geral, há a possibilidade de aquisição de bilhetes para cada um dos espetáculos, separadamente. Informações e Reservas na Bilheteira da OMT (239 714 013) e do TAGV (239 855 630). 
2) As reservas feitas antecipadamente terão que ser levantadas até 2 dias antes do espetáculo. 
3) Para o espetáculo Hygiene (7 junho, 20h00), com início na Sé Velha, é necessário fazer reserva antecipada e levantar a mesma na Bilheteira da OMT.
4) Para o espetáculo Ópera dos Vivos, as reservas deverão ser feitas diretamente no TAGV.



Terça-feira, 15 de Maio de 2012

Let's Do It

Ursos com frio nos igloos fazem 
Corajosos cangurus fazem 
Façamos, amor também. 
Coelhos só e tão só fazem 
As seis renas do trenó fazem 
Façamos, amor também. 

de Let’s do it (let’s fall in love) 

SINGLE SINGERS BAR (Música/Teatro) 
Encenação de Dagoberto Feliz | com música de Cole Porter, Kander & Ebb, George & Ira Gershwin 
Celeiro dos Duques de Aveiro | 19 de maio | sábado | 22h 

Um cabaré habitado por solitários profissionais que cantam para espantar os males. Os atores d’ O Teatrão jogam com o repertório musical norte-americano, de espetáculos como Chicago e Cabaret e de compositores como os irmãos Gershwin e Cole Porter.

Preço dos bilhetes: € 2 (reserva antecipada) e € 3 euros (no dia da apresentação). 
Informações e reservas através dos contactos: 919 390 603, mail@oceleiro.org ou www.oceleiro.org